Visão contemporânea do jornalismo investigativo
O jornalista e chefe correspondente da Al Jazeera, Tevê
árabe, Yosri Fouda, afirmou em seu prefácio do livro “Jornalismo Investigativo”
de Mark Lee Hunter, que chegou a ser motivo de sarcasmo dos companheiros quando
propôs uma reportagem especial, investigativa, para basicamente se recolher e
afastar por, pelo menos, 45 dias. A proposta de Fouda na época era uma agressão
ao padrão engessado de jornalismo que não confrontava e nem somava informações.
Atualmente o que temos é uma imensidão de informações que se repetem entre
blogs e tabloides, mas que não possuem a força motriz das chamadas “reportagens
investigativas”.
Na visão contemporânea do jornalismo investigativo não se
exclui fatores importantes como: relação com a fonte, riscos excedentes e
métodos “exclusos”. Estes métodos “exclusos” não são formas ilegais, mas que
confrontam, até certo ponto, lições conservadoras do jornalismo. Existem, por
exemplo, situações em que nos vemos próximos ao perigo, mas este não é
exclusividade desta área do jornalismo. Não conjecturar formas dinâmicas de
desenvolver o jornalismo investigativo é ficar preso a uma forma que propaga a
informação “cozida”. O bom é buscar a notícia crua e torna-la atrativa de
acordo nosso tempero. É impossível realizarmos um bom jornalismo investigativo
sem ir cavando poços de informações que nos levam no manancial ao deserto.
Após a entrada do século 21 o que restou dos padrões de
jornalismo arcaicos foi o romantismo pragmático de um padrão que não se
renovava. Com o advento das redes sociais e novas mídias foi ficando mais fácil
perfilar o mapa da notícia investigada e devidamente arquitetada. Portanto, a
marca do jornalismo investigativo contemporâneo é a sua aproximação da
tecnologia das novas mídias informativas. Não podemos retirar essa ligação por
uma simples nostalgia da manipulação coletiva de padrões.
Texto: Sérgio da Silva Pereira (aluno do curso)
