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A tragédia da lei Baby Doe: uma investigação jornalística centrada numa hipótese provável

A primeira análise: A hipótese se
sustenta?
O próximo passo foi reunir um pouco os dados, para ver se eles apoiavam a nossa hipótese. Pelas estatísticas nacionais sobre peso de bebês ao nascer, a medida padrão de prematuridade, e estudos científicos que apresentam as taxas de deficiências entre essas crianças, descobrimos uma curva de  tendências mais ou menos assim:

Em outras palavras, de 1970 a 1984, o número de bebês nascidos prematuramente teve uma forte diminuição. Como a prematuridade também
está associada a deficiências, o número de crianças com deficiências também diminuiu. Porém, após 1984, os números aumentaram novamente, de maneira inexorável. Dados como esses apoiam ou negam a nossa hipótese? Nem apoiam, nem negam. Esses dados não nos mostram que há assassinos de bebês soltos pelo mundo. Talvez o fato de que o número de crianças com deficiências e nascidas prematuras aumentou novamente após 1984 tenha
inspirado alguns malucos a tentar deter a onda. Mas ainda não sabemos. Tampouco sabemos se esses malucos estavam em ação entre 1970 e
1984, e então decidiram parar antes de serem pegos. Tudo o que sabemos é que a partir de 1984, algo mudou.

3. Verificação adicional.
Retornamos à biblioteca para coletar mais artigos científicos sobre crianças com deficiências e nascidas prematuras. Um dos artigos mencionava algo que foi chamado de “Baby Doe”. Ligamos para a autora e perguntamos a ela o que significava a expressão “Baby Doe”. Ela respondeu: “É uma lei que requer que façamos todo o esforço possível para salvar as vidas dos bebês nascidos prematuros, independentemente das suas deficiências e da vontade dos pais”.
Esse fato, por si só, tinha o potencial de destruir a nossa hipótese – se, é claro, a lei tivesse sido efetivamente cumprida. Então perguntamos se os médicos obedeceram a lei. “Nós temos que obedecer”, disse ela. “Em cada hospital, há uma linha direta de ligação a um promotor público. Se alguém pensar que uma pessoa não está fazendo o seu trabalho, essa pessoa é presa”. Perguntamos se ela conhecia lugares onde isso acontecia. 
Autora 

E sim, ela conhecia (mais à frente, obtivemos relatórios sobre o cumprimento da lei por uma agência federal). Em seguida, perguntamos quando a lei tinha entrado em vigor. Adivinhe em que ano? Em 1984. Nesse momento, a hipótese original pareceu bastante fraca. Mas uma nova hipótese passou a se configurar: “Em 1984, foi aprovada uma lei que proibiu os médicos de permitir que bebês severamente

deficientes e nascidos prematuros morressem por causas naturais ao nascer. O resultado disso foi uma nova população de pessoas com deficiências”.
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